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interessante theatervoorstelling in ODH

Quinta-feira, 06.02.14

No próximo sábado, 08 de fevereiro, pelas 21:30, na Casa da Cultura
César Oliveira, sobe ao palco a peça teatral O SAQUE, pelo grupo de
teatro Mãos à Obra, do Núcleo Juvenil de Animação Cultural de
Oliveirinha, Carregal do Sal. Depois da apresentação de "Oh Zeus", a
partir de textos de Woody Allen, o Mãos à Obra regressa a Oliveira do
Hospital, desta feita com um texto do dramaturgo inglês Joe Orton. A
entrada é gratuita.

_The Loot_, ou _O Saque _em português, foi estreada em 1965 no Arts
Theatre de Cambridge e, como qualquer obra de ruptura, causou divisões
entre os críticos, causando ódios e aclamações ao mesmo tempo. São
os anos 60, uma época de revoluções e de mudanças na sociedade
inglesa. Era o tempo da Swinging London, do nascimento dos Beatles, dos
Rolling Stones, dos The Who, dos Pink Floyd, dos Kink. Apareciam as
super modelos, as revistas de moda, a Bondmania, filmes revolucionários
como _Blow Up _de Antonioni.

Foi neste espírito que nasce _O Saque_, uma feroz crítica à sociedade
pós-guerra, acomodada e conservadora. Nesta obra estão identificados
males profundos como a corrupção, a deslealdade e a hipocrisia de uma
sociedade vivendo de falsas aparências, onde existe uma repressão muda
que motiva reacções inesperadas, tão bem retratadas nos filmes de
Kubrick, _Laranja Mecânica _e _Barry Lyndon_, também alvos de grandes
ódios aquando da estreia.

Recentemente levada a cena por Ricardo Pais no Teatro Nacional São
João, _O Saque _é uma peça bastante pertinente nos tempos presentes,
onde uma revolução se prepara silenciosamente, incógnita e ainda por
perceber.

Este é sem dúvida um excelente desafio depois da direcção de "Oh
Zeus", a partir de textos de Woody Allen. Por um lado, permite-nos uma
liberdade de interpretação sobre problemas actuais, mas acima de tudo,
dá-nos a oportunidade aprofundar a raiz da actual _Crise_, que é
económica, de valores, de confiança e, de como diria Miguel Esteves
Cardoso, de _Desesperança_.

Por outro lado, é aliciante trabalhar o ritmo e energia revolucionária
de um texto que não deixa ninguém indiferente. Diálogos brilhantes,
construção de personagens bastante sólidas e cenas intensas que
respiram transgressão, colocando o público no abismo das suas
convicções.

Estamos à beira do precipício. Voltamos para trás ou seguimos em
frente num enorme salto para o vazio? Temos coragem para isso? Basta
acreditar que temos asas e voar. Começar de novo.

--

Luís Gonçalves
Pelouro da Cultura
Câmara Municipal de Oliveira do Hospital
238 605 257

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publicado por NCBPortugal às 22:24








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